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Situada em
plena planície dos campos do Mondego, a Ereira, um pouco
pelo seu isolamento a também pelo modo de vida dos seus habitantes
conservou, até ao presente século, as características de comunidade
rural de pureza de costumes mantidos pela força da tradição, alheia
aos efeitos perniciosos da civilização.
Transparecendo um espírito fortemente arreigado aos princípios do
conceito de Deus e família, a povoação da Ereira é, ainda hoje, uma
comunidade tipicamente rural, moldada pelos traços impostos pela
situação condicionante a resultante da implantação geográfica, riqueza
de solo a sua fácil exploração.
As
principais actividades dos seus habitantes estão, desde sempre,
dirigidas para a agricultura, principalmente, e, em plano secundário a
pesca. Daí que tenham surgido actividades consequentes, tais como o
fabrico de alfaias agrícolas, cestos de verga, os barcos, as redes; a
cultura e transformação do linho, desde há muito desaparecida.
Vestindo
nos moldes e padrões tradicionais duma classe rural modesta, porque a
distribuição de riqueza não lhe dá outra condição, aparecem a par dos
trajes camponeses, figuras pitorescas como a lavadeira do Mondego, o
pescador, o pastor, os trajes da ceifa a de trabalhos da eira, a
paralelamente o traje de domingar, de ver a Deus, de noivos, de
romaria ou de festas, de feirar, entre outros.
E é no
amanho das terras, nas ceifas a desfolhadas que as pessoas se dispõem
a cantar, para amenizar o sacrifício dos trabalhos, por vezes árduo,
ou na eira e junto à capela, aos domingos, a título de diversão e de
convívio, que se servem de jogos como o anelzinho, o raminho trouxado,
o ladrão do meio, a cantarinha e outros, utilizando as danças de roda,
dando as mãos, todos irmanados, cantando a bailando, como forma de se
encontrarem, ao jeito da sua forma de vida como gente simples a
humilde. Mas é sobretudo no fim das colheitas que estas manifestações
atingem a sua maior expressão, no renovar das reservas dos celeiros.
E cantando,
de farnel a cabeça, as gentes da Ereira agora mais disponíveis das
lidas dos campos, em jeito de agradecimento, em manifestação de
alegria e por devoção, caminham para as romarias da Senhora da
Saúde de Belide ou Reveles, para a de S. Mateus em Soure,
Senhor da Serra em Semide ou mesmo de S. Tomé na
Ferreira, com os carros de vacas a os animais enfeitados, onde as
velhas cantigas se renovam a se entoam sempre com a mesma alegria a
virtude, versos com que acompanham também as danças onde se ouve:
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Para
representar a divulgar duma forma viva este tipo de comunidade, surge
o Rancho Folclórico da Ass. C. D. R. da Ereira, fundado em 1932 e em
actividade até hoje sem qualquer interrupção, mantendo-se em
permanente investigação para uma mais verdadeira reposição dos
costumes tradicionais da Aldeia a região que representa, apresentando
um programa seleccionado a uma variedade de trajos em obediência aos
usos tornados tradição desta Aldeia pitoresca da Beira Litoral,
situada em região privilegiada de terras férteis e fecundas,
promovendo festivais, editando cassetes a postais e organizando
Exposições Etnográficas.
Anualmente
o grupo organiza o seu Festival Folclórico, além de várias exposições
de fotografia e etnografia, não esquecendo os serões culturais
Em Setembro
de 1987 o grupo atinge o seu objectivo ao participar juntamente com 35
grupos estrangeiros no "Dia de Astúrias" em Gijon (Espanha) no
Estádio de El Molinón perante 15 mil pessoas.
Em Maio de
1988 viaja até Ceresay (França) para participar num intercâmbio
cultural a convite da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho.
Em Outubro
de 1992 viajou até ao sul de Espanha para participar nas festas da
cidade de Catarroja (Valência). |