Durante muitos séculos a quinta de Almeara foi habitada por Cruzios, frades pertencentes ao convento de Santa Cruz de Coimbra, que tinham na sua posse a maior parte das terras do Baixo Mondego. Estes frades incentivavam gentes da região a arrendar grandes extensões de terra, entre elas a granja de Ereira. Formaram-se assim os morgadios, cujo contrato visava que em caso de morte do proprietário a terra só poderia ser herdada pelo filho primogénito mais velho, em caso da sua inexistência poderia ser herdado pela filha mais velha até à existência de descendência masculina. Os proprietários tinham de manter toda a área que lhes pertencia cultivada e tinham ainda de doar aos senhores eclesiásticos a dízima, ou seja, uma décima parte das colheitas feitas, se tal não ocorresse os tributos duplicariam e as terras ser-lhe-iam retiradas.

No século XV (1414) foi erguida a primeira “habitação” na granja de Ereira que dá pelo nome de casa do Torreão; era usada para recebimento de rendas e como moradia dos procuradores.

 

Imagem 1 - Casa do torreão após inundação

Pensasse que nenhuma outra habitação foi construída, ou pelo menos desconhece-se a construção, até ao século XIX.

Já neste século muitas coisas mudaram. Devido a vários acontecimentos nacionais, entre eles as invasões francesas e a fuga da família real para o Brasil, ocorreu em 1820 a revolução liberal; embora o liberalismo definitivo só se tenha instaurado em 1834. Com esta revolução eliminaram-se situações de privilégio e o monopólio de actividades económicas, libertando-se desta forma a terra e o comércio. Foram abolidas as ordens religiosas e houve nacionalização dos seus bens, aboliram-se assim os morgadios ou parte deles e suspenderam-se as dízimas. Foi nesta altura que o povo conseguiu adquirir pequenas parcelas de terreno que cultivava e onde construía as suas habitações.

No entanto, dentro do povo, quem beneficiou com esta revolução foi apenas a burguesia. Estes eram os únicos que tinham poder económico para adquirir as propriedades que pertenciam ao clero e à coroa. Os restantes elementos continuaram a viver na pobreza embora com o passar do tempo alguns camponeses se fossem apropriando de terras por herança, aquisição ou arrendamento, onde começaram também a construir casas modestas.

O local de Ereira, como neste século se passou a designar a granja, começa agora a ser mais povoado. Existem três grandes habitações do inicio do século que se pensa terem pertencido a famílias de lavradores abastados e remediados (família Duarte, Cantante, Cabete e Fernandes) . Uma delas é a casa pertencente à família Duarte, da qual descende o ilustre Poeta Afonso Duarte nascido em 1884.

A família de Afonso Duarte é uma das mais abastadas da época, com pais lavradores o poeta apenas conseguiu obter formação superior graças à venda de alguns bens da família.

Nesta época a diferença dentro da burguesia era bastante evidente não só no modo de vestir, como também no comportamento.

 
 

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