Imagem 1 - Casa do
torreão após inundação
Pensasse que nenhuma outra habitação foi
construída, ou pelo menos desconhece-se a construção, até ao século XIX.
Já neste século muitas coisas mudaram.
Devido a vários acontecimentos nacionais, entre eles as invasões francesas e
a fuga da família real para o Brasil, ocorreu em 1820 a revolução liberal;
embora o liberalismo definitivo só se tenha instaurado em 1834. Com esta
revolução eliminaram-se situações de privilégio e o monopólio de actividades
económicas, libertando-se desta forma a terra e o comércio. Foram abolidas
as ordens religiosas e houve nacionalização dos seus bens, aboliram-se assim
os morgadios ou parte deles e suspenderam-se as dízimas. Foi nesta altura
que o povo conseguiu adquirir pequenas parcelas de terreno que cultivava e
onde construía as suas habitações.
No entanto, dentro do povo, quem
beneficiou com esta revolução foi apenas a burguesia. Estes eram os únicos
que tinham poder económico para adquirir as propriedades que pertenciam ao
clero e à coroa. Os restantes elementos continuaram a viver na pobreza
embora com o passar do tempo alguns camponeses se fossem apropriando de
terras por herança, aquisição ou arrendamento, onde começaram também a
construir casas modestas.
O local de Ereira, como neste século se
passou a designar a granja, começa agora a ser mais povoado. Existem três
grandes habitações do inicio do século que se pensa terem pertencido a
famílias de lavradores abastados e remediados (família Duarte, Cantante,
Cabete e Fernandes) . Uma delas é a casa pertencente à família Duarte, da
qual descende o ilustre Poeta Afonso Duarte nascido em 1884.
A família de Afonso Duarte é uma das mais
abastadas da época, com pais lavradores o poeta apenas conseguiu obter
formação superior graças à venda de alguns bens da família.
Nesta época a diferença dentro da
burguesia era bastante evidente não só no modo de vestir, como também no
comportamento.